Ódio do Sul e Sudeste contra o Norte só aumenta

É o que escreve o secretário de Desenvolvimento do Amazonas, Serafim Corrêa, em texto que publicou neste sábado, em suas redes sociais

Ódio do Sul e Sudeste contra o Norte só aumenta

Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 30/08/2025 às 11:22 | Atualizado em: 30/08/2025 às 11:22

O secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico do Amazonas, Serafim Corrêa, publicou um artigo hoje no qual critica os ataques que Belém recebe como sede da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, a COP-30.

Para ele, os ataques deixaram de ser discordância e passaram a ser ódio do Sul e Sudeste contra o Norte. Mas ele faz um retrospecto para mostrar que o preconceito não é recente. Ele lembra o comportamento da mídia nacional contra Manaus quando a capital do Amazonas foi escolhida sede da Copa do Mundo de 2014.

Serafim lembra ainda da luta dos jovens do seu tempo pela refundação da Universidade Federal do Amazonas. “Diziam eles: ‘Pra que uma Universidade numa cidade que não tem professores, nem alunos?'”.

Leia mais

Contra Manaus ou Belém, o preconceito é o mesmo

Leia na íntegra o que diz Serafim Corrêa

Quando a UNFCCC (Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima), o braço da ONU que cuida das mudanças climáticas decidiu fazer a COP-30 em Belém, todos sabiam a realidade da Amazônia. Aqui é quente, chove muito, afinal, estamos acima da Linha do Equador, portanto numa região tropical. E as cidades amazônicas não tinham uma estrutura básica, por exemplo, de hotelaria que abrigasse com o conforto europeu ou americano. A meu ver, foi exatamente por isso que a COP 30 será na Amazônia: para o mundo sentir o que é viver na Amazônia.

No entanto, no dia seguinte à escolha, começaram os ataques, em especial do Sul e Sudeste, contra a sede da COP 30 ser em Belém. Os contrários bradaram: “melhor seria no Rio, São Paulo ou Belo Horizonte”. E de lá para cá os ataques de todas as ordens só aumentaram. Deixou de ser discordância para ser ódio contra a região.

Isso me fez relembrar a Copa do Mundo de 2014, quando Manaus foi uma das sedes. Logo após a decisão que incluiu nossa capital dentre as cidades escolhidas começou a ladainha: “Manaus não tem estádio, nem rede hoteleira capaz de receber os turistas”, “Se começar a fazer agora, não vai dar tempo”, ‘Manaus não tem futebol e fica muito longe”.

Ainda devemos uma homenagem ao Aldo Rebelo, Ministro dos Esportes, que nos defendeu como se fosse um filho de Ajuricaba. E foi linchado pela imprensa do Rio e São Paulo.

Fica claro que o preconceito contra a COP-30 em Belém é o mesmo quando da Copa do Mundo em Manaus. Registro que isso não é de hoje e relembro um fato da maior relevância para entendermos essa situação e a nossa história.

O sonho da juventude secundarista de Manaus na década de 1960 era a refundação a Universidade Federal do Amazonas. É mérito do então deputado federal Arthur Virgílio Filho (pai do ex-prefeito de Manaus por três vezes Arthur Virgílio Neto) ter apresentado o projeto que transformaria em realidade aquele nosso anseio. Teve ao seu lado na luta parlamentar o nosso estimado Almino Afonso, também deputado federal. A oposição ao projeto veio das bancadas do sudeste com argumentos que mostram que o preconceito contra a Amazônia vem de longe. Diziam eles: “Pra que uma Universidade numa cidade que não tem professores, nem alunos?”, “Para a Amazônia basta a Universidade do Pará (criada em 1957)”. A luta de Arthur e Almino foi em frente e a Universidade do Amazonas foi recriada em 1962 pela Lei nº 4069-A, de 12 de junho, sancionada pelo presidente Jango e pelo 1º Ministro Tancredo Neves (lembrem-se que o Brasil nessa data era parlamentarista).

Portanto, o preconceito contra Belém ou Manaus é o mesmo e vem de longe. Afinal, somos todos filhos do Grão-Pará e Rio Negro.

Foto: João Viana/Semcom e Raphael Luiz/Agência Pará