Julgamento histórico: PGR diz que são robustas provas contra Bolsonaro
PGR afirma ter provas robustas contra Bolsonaro e aliados no julgamento do STF por tentativa de golpe e ataque ao Estado Democrático de Direito.
Iram Alfaia, do BNC Amazonas em Brasília
Publicado em: 01/09/2025 às 19:09 | Atualizado em: 01/09/2025 às 23:00
Começa nesta terça-feira (2) a primeira das oito sessões do Supremo Tribunal Federal (STF) que vão definir em cinco dias se Jair Bolsonaro e mais sete réus são culpados ou inocentes pela tentativa de golpe de Estado.
Essa é a primeira vez na história em que um ex-presidente, generais de quatro estrelas e um almirante de esquadra são julgados por esse tipo de crime.
Nas suas alegações finais, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, diz que a acusação se baseou em amplo conjunto probatório como manuscritos, arquivos digitais, trocas de mensagens e planilhas que revelam a trama conspiratória contra as instituições democráticas.
“Não há dúvidas de que a organização criminosa desacreditou publicamente o sistema eletrônico de votação, valendo-se de recursos e agentes públicos, bem como mobilizou o braço armado do Estado”, diz o chefe da PGR.
Gonet afirma também que os depoimentos e inquirições ao longo do julgamento evidenciaram envolvimento dos denunciados em uma organização criminosa com o objetivo de impedir o funcionamento dos poderes da República e depor um governo legitimamente eleito, além da depredação de prédios públicos.
Além de Bolsonaro, o chamado núcleo crucial (Núcleo 1) da trama golpista é composto por Alexandre Ramagem (deputado federal e ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência), Almir Garnier Santos (almirante e ex-comandante da Marinha), Anderson Torres (ex-ministro da Justiça), Augusto Heleno (general da reserva e ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional), Mauro Cid (tenente-coronel e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro), Paulo Sérgio Nogueira (general e ex-ministro da Defesa) e Walter Braga Netto (general da reserva e ex-ministro da Casa Civil e da Defesa).
O grupo responde por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, dano qualificado e privacidade de patrimônio tombado.
Provas
A PGR citou como provas live do presidente com ataques às urnas sem provas em julho de 2021; transmissão ao vivo da reunião com embaixadores, em julho de 2022, em que Bolsonaro faz mais ataques sem provas ao sistema eleitoral; manuscritos e arquivos eletrônicos que revelam “plano de desacreditar reiteradamente o processo eletrônico de votação”.
Também estão entre as provas mensagens e arquivos digitais, planilhas de dados, registros de reuniões “voltadas ao manejo indevido das forças de segurança pública, especialmente da Polícia Rodoviária Federal, no segundo turno das eleições”.
São citadas mensagens eletrônicas que confirmam “ter sido postergada a divulgação do relatório produzido por autoridades militares sobre a idoneidade do sistema eletrônico de votação, como forma de manipulação da vontade popular”.
Outra prova é a convocação do Alto Comando do Exército para apresentação, pelo então presidente Bolsonaro, de medidas para impedir a posse do governo Lula. Há provas dessa convocação por depoimentos, registros de entrada no Palácio da Alvorada, minutas apreendidas e conversas sobre reuniões de apresentação do projeto golpista.
Outro documento é o protocolo da representação do PL para a verificação das eleições, que “questionava dolosamente a integridade das urnas eletrônicas, com o intuito de intensificar o ímpeto de reação popular negativa com relação à Justiça eleitoral”.
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Ainda estão entre as provas os registros das ações militares de monitoramento — o plano “Punhal Verde Amarelo”, impresso nas dependências do Palácio do Planalto; e a operação “Copa 2022”. O Punhal Verde Amarelo consistia na prisão e assassinato do presidente Lula, o vice Geraldo Alckmin e o ministro do STF Alexandre de Moraes.
Outras provas consistentes são as imagens de destruição das sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro.
Foto: Pedro França/fotospúblicas
