Rejeito do Pitinga estaria sendo usado para extração de urânio na USP
Ipaam nega envio de rejeito da Mina do Pitinga à USP para suposta extração de urânio.
Iram Alfaia, do BNC Amazonas em Brasília
Publicado em: 28/08/2025 às 22:42 | Atualizado em: 28/08/2025 às 22:43
Uma fonte ligada ao licenciamento ambiental no estado, que não quis se identificar, denunciou ao BNC Amazonas que resíduos da Mina do Pitinga, em Presidente Figueiredo, estão sendo enviados para a Universidade de São Paulo (USP) a fim de processar urânio.
O material estaria sendo enviado como estanho, sem licença ambiental, pela mineradora Taboca para Pirapora do Bom Jesus (SP) onde é armazenado antes de seguir para o Laboratório de Reciclagem, Tratamento de Resíduos e Extração (Larex) da USP.
De acordo com a denúncia, todo esse processo é conhecido pela estatal chinesa China Nonferrous Trade que comprou a Taboca, empresa privada que pertencia ao grupo peruano Mimsur.
“A mineração Taboca está processando minerais radiativos e rejeitos radioativos em uma planta industrial instalada na USP. Existe a possibilidade da Taboca estar extraviando urânio contido no mineral e no rejeito processado”, diz a denúncia.
A fonte afirma ainda que toda a operação é feita sem as licenças da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), do Conselho Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e do Instituto Indústria Nuclear Brasileira (INB).
Por meio da sua assessoria de imprensa, o senador Plínio Valério (PSDB), autor de mandado de segurança acatado pela Justiça federal no Amazonas cobrando explicações sobre a venda da Mina do Pitinga aos chineses, disse que não tem informações sobre a denúncia.
Teoria da conspiração
“É muita teoria da conspiração”, diz um servidor do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam). “O que vai para Pirapora é minério beneficiado”, completa.
Ele explica ainda que não há licenças para transporte de rejeito. “Na mineração se aproveita o mineral mais caro. Exemplo: na mineração de potássio, projeta-se de 20% a 25%, ou seja, 75% é rejeito”, diz.
O servidor afirma que na Taboca há um depósito mineral in natura de rocha com potencial radioativo.
“Esses depósitos existem na natureza e, para se tornarem geração de energia, precisam de concentração”, explica.
USP
De acordo com a revista especializada Brasil Mineral, a Taboca junto com o laboratório Larex da USP, desenvolve um projeto de purificação do resíduo da mineração de estanho para obter materiais de alto valor, como os Elementos Terras Raras (ETRs).
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“As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos (os 15 lantanídeos, o escândio e o ítrio) amplamente utilizado para o desenvolvimento de tecnologias emergentes em várias áreas, como a produção de componentes de diversos eletroeletrônicos e de ímãs permanentes”, diz a publicação.
Foto: reprodução/vídeo
