Comissão da Amazônia derruba projeto da Zona Franca da Biodiversidade

Comissão da Amazônia rejeita criação da Zona Franca da Biodiversidade em defesa da Zona Franca de Manaus.

Antônio Paulo, do BNC Amazonas em Brasília

Publicado em: 02/09/2025 às 19:05 | Atualizado em: 02/09/2025 às 19:05

A comissão da Amazônia, dos Povos Originários e Tradicionais, da Câmara dos Deputados, derrubou nesta terça-feira (2 de setembro) o Projeto de Lei (PL) nº 5.172/2020, que criava a Zona Franca da Biodiversidade da Amazônia Legal, no município de Sinop, Mato Grosso.

Pela proposta, de autoria do deputado Nelson Barbudo (PL-MT), a ZF da

Biodiversidade teria regime fiscal especial, com objetivo de promover o desenvolvimento econômico e social do Mato Grosso e de valorizar o meio ambiente.

Do mesmo modo, as mercadorias estrangeiras ou nacionais, enviadas à zona franca, seriam, obrigatoriamente, destinadas às empresas autorizadas a operar no sistema.

Também estariam isentas do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

Somente estariam excluídos dos benefícios fiscais armas e munições, veículos de passageiros, bebidas alcoólicas, fumo e seus derivados. Os mesmos produtos que estão fora da cesta da Zona Franca de Manaus.

No entanto, os membros da comissão da Amazônia acolheram o voto contrário do relator, deputado Sidney Leite (PSD-AM), e arquivaram o projeto de lei.

Argumentos de rejeição

Segundo o parecer do relator, o PL 5.172 era inconstitucional principalmente por conta das alterações feitas na reforma tributária pelo Congresso Nacional.

“Em 2023, quando votamos a PEC da reforma tributária, no artigo das disposições transitórias, ela dá uma linha de corte que proíbe, veda a criação de novas zonas francas e áreas de livre comércio. Além disso, a reforma tributária também vetou a concessão de incentivo fiscal. Logo, esse projeto não tem viabilidade jurídica nem econômica”, explicou Leite.

Duas zonas francas, não

Ainda havia um terceiro motivo para pedir a rejeição da Zona Franca da Biodiversidade do Mato Grosso: o Brasil não comportaria duas zonas francas.

Na avaliação do deputado-relator, se criar outra zona franca no país, acaba com a Zona Franca de Manaus. Tendo em vista que o modelo amazonense está localizado em uma região extremamente carente de logística.

“Então, fica muito claro que o Amazonas não teria condições de competitividade. Por isso, meu voto foi pela rejeição e estre foi aprovado pela comissão da Amazônia”, reiterou Sidney Leite.

Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados