Cartel do combustível é comandado por facção do crime organizado

Maior operação contra crime organizado no país expõe como o PCC e grupos empresariais dominam a cadeia de combustíveis.

Preço de gasolina

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 28/08/2025 às 08:41 | Atualizado em: 28/08/2025 às 08:54

A operação Carbono Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (28 de agosto) pela Polícia Federal em conjunto com forças estaduais e federais, revelou a maior infiltração já mapeada do crime organizado na economia formal do Brasil.

O alvo principal: o mercado de combustíveis, responsável por movimentar R$ 420 bilhões ao ano.

As investigações apontam que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e empresários ligados a distribuidoras e usinas controlavam, direta ou indiretamente, toda a cadeia produtiva, da importação e adulteração ao transporte, distribuição e venda nos postos.

O esquema teria sonegado mais de R$ 9 bilhões em tributos e movimentado dezenas de bilhões em recursos ilícitos, com apoio de fundos de investimento e empresas de fachada na avenida Faria Lima, em São Paulo.

O controle criminoso explica distorções que atingem o bolso do consumidor.

No Amazonas, que possui petróleo e refinaria, os combustíveis estão entre os mais caros do Brasil, efeito de um mercado viciado em cartéis, sonegação e adulteração.

A prática mantém margens de lucro elevadas para o crime e para empresários coniventes, enquanto o consumidor paga a conta.

A rede criminosa envolvia 17 distribuidoras, 6 refinadoras, 4 transportadoras, mais de 300 postos e até usinas sucroalcooleiras.

Parte do lucro vinha da importação irregular de metanol para adulterar gasolina, ampliando ganhos e riscos ambientais.

O dinheiro também financiava lobistas em Brasília, ampliando o poder político do grupo.

A ação da PF bloqueou bens, cassou licenças e atingiu empresas em dez estados, mas o desafio é romper a blindagem econômica e política que mantém o combustível brasileiro artificialmente caro, um peso diário no orçamento de famílias e empresas.

Leia mais na reportagem do jornalista Fausto Macedo, do Estadão.

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Foto: Marcelo Casal Jr./EBC